A cientista e mãe que mostrou no Twitter a realidade das videochamadas: "Momentos complicados" | Manual da Mulher
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A cientista e mãe que mostrou no Twitter a realidade das videochamadas: “Momentos complicados”


Gretchen Goldman: “A criação dos filhos recai sobre as mulheres e muitas estão abandonando o mercado de trabalho durante a pandemia”

Gretchen Goldman responde a esta entrevista tarde da noite, por e-mail, quando todo mundo está dormindo em sua casa. São dez minutos da madrugada em Washington, Estados Unidos e a jornada de trabalho ainda não terminou para essa cientista que ficou popular nas redes sociais depois de mostrar com uma imagem como é complicado manter o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional durante a pandemia.

Rodeada por um caos de brinquedos infantis e caixas, a cientista põe seu computador em uma cadeira colocada em cima de uma mesa em frente à janela para ter boa iluminação. Da cintura para baixo, Goldman usa calça de ciclismo e sandálias. A imagem dessa mulher invadida pela bagunça e vestida como muitos de nós ―não nos enganemos― durante a pandemia teve 300.000 curtidas e muitas mensagens de apoio em menos de três dias, pois representa a imagem de milhões de pessoas que tentam equilibrar sua vida pessoal e profissional no mesmo espaço.

Integrante da organização sem fins lucrativos 500 Mulheres Cientistas, Gretchen Goldman faz parte de uma rede que dá orientações e conselhos sobre como conciliar a vida pessoal e profissional para trabalhadores da ciência que agora também se tornaram cuidadores em tempo integral. “Todo dia é um desafio. Eu e meu marido trabalhamos como cientistas e temos dois filhos pequenos, de 2 e 4 anos. Meu trabalho exige que eu organize projetos, lidere uma equipe de pesquisa e esteja disponível para solicitações da imprensa”, assinala.

Ela admite ser um privilégio poder trabalhar de casa, mas também considera isso um desafio, uma tripla jornada de trabalho: “Temos de administrar nossos horários de trabalho enquanto cuidamos física e emocionalmente das crianças. Mal consigo me manter em dia com as tarefas como mãe e trabalhadora”.

Segundo a consultoria McKinsey, 54% dos postos de trabalho eliminados no mundo durante a crise sanitária eram ocupados por mulheres. Com probabilidades maiores que as dos homens de perder o emprego e com o papel estabelecido de cuidadoras e conciliadoras, a pandemia ameaça apagar toda uma geração de progresso feminino. “Perderemos muitos dos avanços para as mulheres na ciência vistos nos últimos anos”, opina.

Goldman e seu marido fazem um trabalho de equipe e distribuem seus horários para que um deles possa cuidar dos pequenos enquanto o outro participa de uma reunião. Depois, à noite, quando reina a calma, a cientista dedica mais duas ou três horas para resolver questões pendentes. Ela gosta do fato de sua imagem no Twitter servir para falar da dificuldade de conciliar a vida familiar e a profissional: “Fico contente por lembrar aos outros pais que ninguém é perfeito e que não importa o quanto sua tela do Zoom esteja impecável, todos estamos passando por momentos complicados”.