Nada é tabu para Gita Gopinath, primeira economista-chefe mulher do FMI

Em sua carreira acadêmica, Gopinath se mostrou disposta a seguir a evidência empírica para onde quer que ela fosse

Gita Gopinath sabe fazer o tipo de pergunta que pouco tempo atrás poderia gerar incômodo dentro do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde acaba de assumir o cargo de economista-chefe.

E se mais mercados emergentes administrassem ativamente suas moedas, como faz a China? E se a entrada de capital prejudicar a produtividade de um país em vez de impulsioná-la?

Interrogar dados em busca de respostas e utilizá-los para encontrar falhas nos manuais convencionais de política econômica foram características marcantes do trabalho de Gopinath, 47, em Harvard.

Agora, espera-se que ela recomende soluções práticas — em um momento turbulento em que os princípios de livre mercado promovidos pelo fundo durante décadas estão sob ataque.

Especialmente em países tomadores de empréstimos como Grécia e Argentina, o FMI ainda é retratado como um aplicador de políticas generalizadas baseadas na austeridade e no fluxo desimpedido de mercadorias e dinheiro. Mas a imagem está desatualizada há tempos.

Os economistas do fundo defenderam o alívio da dívida na Grécia. Afirmaram que controles de capital podem ser úteis e apoiaram cautelosamente impostos redistributivos. Quando a Argentina teve que realizar cortes no orçamento, insistiram que não se deveria colocar muito peso sobre os ombros dos pobres.

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