Festival de Berlim avança na igualdade de gênero em direção

Presidente da mostra queria ter ao menos metade da lista de concorrentes composta por mulheres; chegou a 41%

Festival de Berlim anunciou nesta quinta-feira os toques finais de seu line up e indicou um avanço no tema igualdade de gênero. Sete dos dezessete filmes concorrentes ao Urso de Ouro 2019 são dirigidos por mulheres. Com isso, o festival chega a 41% de candidatas na categoria, muito raramente ocupada por mulheres. 

O número, porém, ainda é menor do que o presidente do festival gostaria. Dieter Kosslick tinha traçado uma meta de preencher ao menos a metade da lista com diretoras nesta que será sua última edição à frente do evento. Não conseguiu. Mas conseguiu reunir para a próxima edição diretoras como Lone Scherfig, Andrea Riseborough e Jay Baruchel. Veja a lista completa de indicações .

Mesmo sem atingir a marca, Berlim ainda está na frente dos outros festivais de cinema no quesito igualdade de gênero. Direção é uma categoria praticamente só ocupada por homens, desde a indicação. Realizado no começo do mês, o Globo de Ouro foi duramente criticado por prestigiar atrizes em detrimento a diretoras. Glenn Close foi a grande vencedora pela atuação em A Esposa, filme biográfico que trata justamente da falta de visibilidade da criação feminina. Nenhum filme dirigido por mulher ganhou em qualquer outra categoria.

No ano passado, mesmo com a atriz Cate Blanchett presidindo um júri composto por maioria feminina, o Festival de Cannes também não conseguiu aumentar o espaço para as diretoras. Apenas três filmes assinados por mulheres concorreram à Palma de Ouro, entre 21. Na edição anterior foram três entre dezenove. A primeira e única diretora a levar o principal prêmio do festival foi Jane Campion, por O Piano, em 1993.

No Oscar, as estatísticas não são melhores. No ano passado, Greta Gerwig foi indicada ao troféu de melhor direção por Lady Bird, tornando-se apenas a quinta indicação em seu gênero em 90 anos de existência do prêmio. A única direção realizada por uma mulher e reconhecida pela Academia de Hollywood foi a de Kathryn Bigelow, em 2010, por Guerra ao Terror.

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